sexta-feira, outubro 10, 2014

O Canalha



Sempre ouvi minhas amigas mulheres falarem do homem canalha, que vive uma ilusão com elas e depois joga tudo pelo ralo, às vezes até confessando mentiras e as mal tratando
E eu sempre as consolei, sempre disse que homem é canalha, para elas não se sentirem mal pois elas são especiais, e são eles que possuem falhas.
Pois eu fui o canalha da vez.
Eu e minha branquinha gaucha nos apaixonamos. Passou a ser mais do que somente carinho, vontade, desejo ou carência. Aliás, foi mais do que paixão. Foi amor. Estávamos completamente caídos um pelo outro. E isso afetou minha outra vida. Eu já demonstrava a todos em volta que minha esposa não era o meu amor, que eu tinha um outro amor, e as coisas estavam caminhando para explodir cedo ou tarde.
Minha esposa notou, e quando mulher quer, ela descobre. E descobriu. Cheguei a uma encruzilhada em que devia decidir onde eu seria canalha, pois canalha eu já era. E não consegui ficar longe do meu filho, e não dei conta de me separar de alguém por quem eu sentia responsabilidade de cuidar, e que queria fazer dar certo.
E no meu atropelo, fiz muita coisa errada com minha gaúcha. E a magoei demais.
Me arrependo amargamente de não ter conversado com ela na época como ela merecia, acho que fiz ela se sentir um pouco usada, jogada fora.  Não pensei direito na ocasião.
Fui canalha, fiz um mal enorme a ela, e fiz ela ter ódio de mim. Com razão.
Sinto muita falta da minha paixão por ela. Mas sinto mais ainda de nossa amizade.
Penso muito nela, sempre! De nossas conversas, de nossos conselhos, de nossa intimidade, de cada jeito dela. Do jeito dela olhar, sorrir, o jeito dela falar, eu sabia exatamente o que ela pensava e o que ela diria.
Ela é muito especial, e exatamente por isso, sei que procurá-la só vai fazer mal a ela.
Quero vê-la feliz, e ela hoje não será feliz se eu ficar atrás dela.
Quem sabe um dia ela não resolve me dar um oi, dizer que está bem, e dizer que me perdoa.

Acho que não acontecerá, mas é o que me resta. Não vou me aproximar. Amo-a demais para fazê-la sofrer de novo...



Hoje eu vejo que não consigo entender
O que houve entre nós
Eu ainda consigo ouvir sua voz
Me dizendo o que eu já sei

Tudo tem um começo e um fim
Eu vejo a dor em seu olhar
E mesmo sem querer eu te deixo partir
Pra que possa tentar ser feliz outra vez
Recomeçar

E quando eu me perco em suas memórias
Vejo o espelho contando histórias
Sei que é difícil de esquecer essa dor
E quando penso no que vivemos
Fecho os olhos, me perco no tempo
Pra mim não acabou

Tudo tem um começo e um fim
Eu vejo a dor em seu olhar
E mesmo sem querer eu te deixo partir

Banda Malta - Memórias




Um comentário:

Eliel Carvalho Ferreira disse...
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